terça-feira, 22 de maio de 2012

25 años de soledad



Se você acha que o título do post faz referência ao livro Cem Anos de Solidão (Cien Años de Soledad) de Gabriel García Márquez, parabéns, você está completamente certo, mas não precisa se preocupar por que isso não é uma resenha, é só mais-uma-daquelas-coisas-que-eu-fico-pensando-depois-de-ler-um-livro. Então. Já faz uns meses que o li, e já fazia tempo que pretendia fazê-lo e por alguma razão que eu não sei explicar sempre deixava de mão, começava outro e acabava esquecendo, até que calhou de o professor de Espanhol pedir um trabalho sobre qualquer coisa relacionada à cultura/língua espanhola. Não deu outra, García Márquez na cabeça. Foi um incentivo e tanto, além de ler o livro que eu tanto pretendia ainda ia exibir para todo mundo meus conhecimentos literários, like a boss, pagando uma de pessoa que super entende de psicologia fazendo referência ao mito de Édipo, enfim, isso não importa agora, o importante é que num instante eu devorei o livro, e num instante eu estava muito envolvida com a história e me identificando demais com a tal solidão dos Buendía.

“Cem Anos de Solidão, além de um excelente romance, trata-se uma profunda reflexão sobre os fundamentos que compõem o ideário colombiano, sem, todavia, esquecer os fios que os une a América como um todo, e em particular, a América Espanhola. O desenrolar da obra perpassa por acontecimentos marcantes da história da Colômbia entre meados séculos XIX e início do século XX. Aos moldes do Realismo Fantástico, estilo literário que consagrou García Márquez mundialmente, Cem Anos de Solidão esconde um tratado rico em significações. O enredo de Cem Anos de Solidão tem como pano de fundo a aldeia fictícia de Macondo e conta a saga da família Buendía em um ínterim de cem anos.”(1) O livro fala essencialmente sobre solidão, sobre estar só mesmo quando cercados por muitas pessoas. Só para citar três personagens: José Arcádio Buendía é considerado louco por causa da sua quase obsessão pela ciência. Úrsula, esposa de José Arcádio, é a matriarca da família, a personagem que de fato “amarga” cem anos de solidão, apesar da idade, apesar de cega, não pode deixar seu posto de mãe, esposa, praticamente responsável pelo destino da família. E finalmente o meu preferido, o Coronel Aureliano Buendía, um idealista sem uma causa, ele que “promoveu trinta e dois levantes armados e conseguiu perder todos”, Aureliano lutou a vida inteira, mas não sabia por que o fazia. Todos os personagens, em algum momento, estavam sozinhos com seus próprios demônios. É agora que chegamos a mais-uma-daquelas-coisas-que-eu-fico-pensando-depois-de-ler-um-livro.
De fato eu realmente sofro da síndrome do forever alone, e tenho para mim que muitas pessoas também sentem isso, é aquela coisa sabe, por mais que exista amigos, a família, o namorado, sempre vai existir alguma coisa que eu guardarei só para mim, seja por egoísmo ou covardia (que ser humano nunca experimentou uma boa dose disso?) nem todo sentimento pode ou deve ser compartilhado.
Ora, o mundo como todos sabem não é sempre beatiful e simpático, principalmente com pessoas fadadas a serem esquisitas, aquelas pessoas, sabe, que tem certas dificuldades para se encaixar em qualquer contexto social. Que atire a primeira pedra quem nunca pensou alguma coisa do tipo “o mundo não me entende”, por que sim, é muito mais fácil culpar o mundo do que admitir que tem um problema.
Mesmo que alguém diga, repita, afirme veementemente que não se importa com o que as pessoas pensam a seu respeito, que a opinião alheia não influencia em nada na sua vida, isso nunca será cem por cento verdade; “pertencer” é uma necessidade do ser humano e em prol disso ele pode até mentir para si mesmo. Pode ser uma ideologia, uma ideia, um sonho ou um medo, em algum momento isso será só seu e você não vai ter coragem de dividir com alguém por que vai se sentir ridículo, ninguém vai entender, você se sentirá vulnerável.
Cá para nós, eu tenho sérias críticas a pessoas que tentam fugir de si mesmas, mas não posso negar que também faço isso de quando em vez. Ora, todo mundo tem um “outro lado” o tal “eu interior” ou coisa que o valha, e o meu não costuma ser muito simpático, principalmente quando resolve me “esclarecer” algumas verdades. Daí o único jeito de lidar com esse “eu” rabugento é trancafiando-o num quartinho apertado no fundo da mente, por que não adianta falar sobre isso por que o mundo não vai simplesmente parar e esperar que eu resolva meus conflitos existenciais. Não vai e pronto. Isso é meu. É comigo, eu tenho que resolver. Sozinha.

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Oi gente, então, essa é a única vez que vocês verão um post meu com título em espanhol, nada contra, mas enfim, como eu disse meu propósito não era resenhar o livro, mas quero acrescentar que eu super recomendo, tá? Qualquer pessoa que diz gostar de ler deve ler Cem Anos de Solidão.
(1) Esse trechinho eu encontrei num artigo que estava lendo justamente para fazer o trabalho da escola e tal, só que eu esqueci o nome do autor, eu não estou plagiando não, por favor, não me processem.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Confissões de uma (ex)universitária


Recentemente eu tomei uma decisão repentina, coisa que não é do meu feitio, sabe como é, eu sou realmente apegada a essa coisa do planejamento, mas eu faço questão de lembrar que o mundo dá muitas voltas, e foi numa dessas que eu resolvi trancar a faculdade. Pois então, numa hora eu estava na biblioteca a todo vapor organizando o projeto e na hora seguinte eu estava decidindo trancar o curso. Por quê? Por que eu recebi uma proposta de trabalho, e não, não é o emprego dos meus sonhos, até por que Steve Jobs morreu antes de gritar para o mundo inteiro ouvir que ele queria que eu fosse CEO da Apple depois dele, enfim, de qualquer forma foi uma proposta praticamente irrecusável, guardadas as devidas proporções. A questão agora é que, como se não bastasse ter que lidar com a minha consciência se acostumando com o fato de não precisar escrever nenhum artigo, relatório ou monografia, também preciso ouvir algumas pessoas perguntarem, perplexas “você deixou a faculdade pra trabalhar?!”
Bem, em outras circunstâncias eu não teria feito isso, veja bem, eu adoro a Academia, de verdade, tenho minhas criticazinhas, mas estar na universidade me faz sentir parte de um mundo e isso para alguém que se sente deslocada a maior parte do tempo significa alguma coisa. É realmente um caso de amor muito lindo, e pode dizer que parece coisa de besteirol americano que eu não ligo não sabe? Ao contrário de algumas pessoas que estudam por que os pais obrigam, por pressão da sociedade, por que é cool, ou por qualquer motivo ou até sem motivo, eu estudo por que eu gosto. Não, por que eu amo. Sim, se eu pudesse eu faria todas as faculdades que existem, para mim o conhecimento é irresistível. A academia me ensinou muita coisa, sem dúvida, quando eu entrei na faculdade era praticamente uma criança, e minha vida, minhas ideias, meu modo de pensar foi mudando durante aqueles cinco anos de graduação. Mas como nada dura para sempre, não é possível ficar na universidade para sempre, chegou a hora de cortar o cordão umbilical, sair da zona de conforto proporcionada pelos bancos da academia e encarar a grande selva chamada mercado de trabalho, por que afinal, esse é o processo natural das coisas. 
E só para lembrar, a mim mesma e a todos que eventualmente perguntarem surpresos se eu deixei a faculdade para trabalhar: eu já tenho uma graduação, ou seja, já é mais longe do que 90% da população brasileira já chegou. Claro que, depois de tantos anos sendo universitária, acordar e não a obrigação de estudar para alguma prova é um tanto esquisito, mas também é o tipo de mudança que deve fazer parte da vida de todo mundo, embora não seja como no sonho do besteirol americano e tal e coisa, sabe aquele negócio de ninguém mais vai dizer “ah você só estuda!”, como se estudar fosse algo fácil. Humpf.
É claro que eu sinto falta da escola. Bicth, please. Eu fui resolver minha situação lá, entenda solicitar o trancamento da minha matrícula e foi deveras estranho, para não dizer emocionante cortar os laços com a biblioteca. Sabe, a universidade não ensina tudo, na verdade, ter um curso superior não é nem de longe garantia de sucesso profissional, mas é uma experiência ímpar na vida de um ser humano. É claro também que, em sentido amplo, eu não parei de estudar para sempre, ainda não passei no concurso e não sossego enquanto não passar, e além do mais a academia não vai sequer ter tempo de sentir minha falta. A ciência não me perdeu, longe disso, minha ambição agora é desvendar os meandros da psique humana, por isso, ano que vem eu voltarei, aquele lindo do Freud estará me esperando de braços abertos.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Retorno


Não foi tanto tempo longe do In My Place, mesmo assim foi uma separação triste, posso dizer que foi uma renúncia difícil, mas por uma causa nobre (ou talvez não tão nobre assim!), veja bem, conforme eu já tinha falado no post anterior, estava super envolvida, estudando para os concursos, tinha  a faculdade, o francês e tal, de modo quem acabou sendo negligenciado foi o pobrezinho do blog. Dramas à parte, o fato é que, pelos poderes em mim investidos pela Constituição Federal, eu declaro encerrado o recesso no In My Place. We’re back, bitches!
Isto posto, quero aproveitar para falar exatamente do motivo principal de minha ausência: eles, os malditos concursos, que separam milhões de brasileiros do sonho de um emprego público, estabilidade e blá-blá-blá. Eu também estou nessa turma, embora a ideia de fazer a mesma coisa todos os dias da minha vida até que a morte nos separe não me atraia particularmente. Enfim, se alguém perguntasse quando foi que eu virei uma concurseira, ou onde está aquela moça que sonhava em ser CEO de uma multinacional, eu poderia dizer simplesmente que o mundo dá muitas voltas, e tire disso a conclusão que quiser. Eu não sei como é passar num concurso público, pois ainda não vivi a experiência, o mais próximo que eu cheguei foi ser segunda colocada num certame que oferecia uma vaga (será que é só comigo que coisas assim acontecem?). Mas a preparação é um processo árduo e doloroso. É renunciar a algumas horas do dia na frente do computador (a não ser quando as apostilhas são digitais), é deixar de ficar jogando conversa fora com os amigos, é deixar de dar a atenção que o namorado merece, é nem falar direito com as pessoas, é dormir pouco, acordar às cinco da manhã e já pegar o material e só largar à meia-noite, é ficar irritado com muita facilidade com pessoas que acham que é fácil, é chorar de desespero, sentir dor de tanto stress. Em suma, não é nada fácil.
Leandro Vieira, um cara cuja opinião eu respeito bastante disse uma frase muito interessante: “Gênios americanos tem ideias que mudam o mundo, os gênios brasileiros passam em concursos públicos”; depois ele escreveu um artigo meio que criticando essa espécie de desespero de muitas pessoas por serem aprovadas em concursos. O que mais atrai no serviço público são os salários e a estabilidade, ou também se poderia dizer que algumas pessoas pensam no serviço público como um meio de ganhar bem trabalhando pouco; por incrível que pareça eu não tenho esse pensamento. É meio o contrário disso. Ok, os salários são bastante atraentes, mas já pensou fazer uma coisa que você nunca imaginou apenas por dinheiro? Eu não conseguiria, por exemplo, ser policial ou agente penitenciário. Infelizmente fazer o que se gosta e ganhar dinheiro com isso parece ser algo a que só alguns poucos iluminados no mundo tem direito, além disso, a cultura empreendedora é muito tímida entre nós, tupiniquins; por que é que a gente rala tanto na faculdade mesmo? Ah, para ser empregado. Mas tudo bem, isso é assunto para outra hora.
Então, mudando um pouco o foco sem mudar o assunto, depois de fazer, tipos, uns quinze concursos (incluindo aí vestibular por que usam praticamente as mesmas regras) a pessoa começa a ter certa experiência no assunto e a observar alguns padrões comportamentais (e eu adoro observar padrões comportamentais) dos indivíduos que são presença garantida em processos seletivos. Em um dia de provas de concurso você sempre vai encontrar: a pessoa nervosa que fica batendo o pé na cadeira da frente, que geralmente é a minha, ou fica batucando com os dedos na cadeira – não sei se o propósito com isso é aliviar a tensão ou encher a paciência do próximo; aquela pessoa que leva um monte de comida para a sala, é sério, quando você olha para o lado tem uma montanha de chocolate em cima da cadeira – eu entendo que fazer a prova com o estômago vazio é um erro e não é muito produtivo, mas quando começam a abrir aqueles bombons bem na hora que você está super-hiper-mega concentrado lendo uma questão! Argh! Tem ainda a pessoa que leva uma coleção de lápis – grafite, caneta azul, preta, vermelha, lilás, borracha, transferidor, What? Você pensa, e aquele item do edital que mandava levar 1 caneta de tinta preta fabricado em material transparente? E por último tem a pessoa que geralmente se perde antes de encontrar o local das provas, e essa geralmente sou eu.
A minha saga de concursos por agora está quase no fim, falta uma prova, que será dia vinte e eu resolvi abdicar de outras duas que estou inscrita. Muita matéria e poucos recursos disponíveis para estudar, então eu vou evitar o desgaste emocional e físico que é passar um tarde fazendo prova. Além do que, atirar para todos os lados é mais difícil, pegar prova que tem várias disciplinas de Direito, por exemplo, exige muito mais preparação e é muito exaustivo, e eu não gosto de estudar Direito, logo fica muito mais difícil. A má noticia é que a maioria dos concursos cobra alguma coisa de Direito, pois é, ninguém nunca disse que era fácil.
É isso, agora eu estou aguardando o resultado das provas, não que eu esteja muito otimista, embora as pessoas tentem me convencer de que oitenta e três por cento seja um resultado animar, eu acho que poderia ter sido melhor. O fato é que essa espera não é menos angustiante que a preparação. De qualquer forma, é bom voltar para casa. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Até logo, e obirgada pelos peixes!

Nunca na história dessa república eu tive tantas ideias para escrever e tão pouco tempo para colocá-las no papel; acontece que eu estou muito, muito ocupada estudando para um concurso (aliás, três concursos), e se alguém quiser chamar de obsessão eu nem vou me dar ao trabalho de contestar. Por causa dessa falta de tempo para transferir as ideias absurdas da minha cachola para a página do blog, eu resolvi decretar recesso parlamentar aqui no In My Place, até o dia 20 de maior, quando farei a última prova, e se não aparecer outras, aí voltaremos com nossa programação normal.

domingo, 25 de março de 2012

17 again?

De vez em quando eu digo que estou vivendo a adolescência que eu não tive; ah sim, volta e meia eu me deparo com dilemas tipicamente adolescentes, e digo isso sem nenhum resquício de sarcasmo. É sério mesmo. O principal destes dilemas está relacionado à escolha da faculdade, e é realmente estranho dizer isso depois de terminar a faculdade, mas, com licença, eu nunca fui normal. Eu ando cheia de dúvidas sobre o que eu quero ser quando crescer, parece que a certeza que eu tinha na hora da inscrição no vestibular anda se desfazendo graças à grande diferença que existe entre a vida acadêmica e a vida profissional. Enfim, hoje em dia eu fico me perguntando se realmente eu fiz a escolha certa, se eu quero mesmo me render ao sistema e compactuar com tudo que eu desprezo e por aí vai. Em resumo, eu não estou sabendo muito bem o que fazer da minha vida. Mas, ok, este texto não é para falar do meu futuro profissional, é para falar sobre a minha adolescência. Aquela que eu não tive.
Não é como se eu tivesse pulado dos doze anos direto para os vinte e poucos. Oh, wait, é mais ou menos por aí. Com exceção daquele triste momento que você descobre que não é mais criança (Oh my Gosh! Não acredito que escrevi isso), eu não tive muitos momentos tipicamente adolescentes, não mesmo, não deu tempo. Enquanto as minhas colegas da escola que, coincidentemente eram da minha idade, estavam ocupadas escrevendo bilhetinhos para os garotos, eu brincava de bonecas; e enquanto elas estavam ocupadas indo para as festas e beijando garotos, eu tive que praticamente criar as minhas irmãs mais novas, por que meus pais... Bem eles também estavam ocupados brigando ou pensando num jeito de tornar a nossa vida um pouco mais difícil. Desde cedo tive que assumir responsabilidades pouco comuns para a idade; daí é quando a gente começa a perceber que existe alguma diferença entre brincar de casinha e cuidar da casa. Ok, eu não precisava trabalhar para colocar o dinheiro em casa, pelo menos, mas praticamente ser a base familiar quando se tem catorze anos é uma espécie de tratamento de choque.
Às vezes eu me pergunto se ter praticamente pulado essa fase não foi de alguma maneira ruim para a minha vida; quer dizer, até as árvores  nascem, crescem, reproduzem e morrem. Talvez se eu tivesse cometido mais erros na idade em que cometer erros é considerado normal, muitas das coisas que hoje parecem tão complicadas não o fossem. Do alto da minha psicologia barata eu me pergunto se a maneira abrupta como minha adolescência desapareceu não é a causa de muitos das dúvidas existenciais que me assombram hoje em dia; eu acho que não precisa ser muito Freud para perceber isso. De alguma maneira é estranho demais olhar para o próprio passado e perceber que não viveu coisas que normalmente a maioria das pessoas vivem, seja ir para uma festa e beber até vomitar ou viajar com a turma.
Claro que nem tudo é ruim na história; um lado bom disso é desde cedo aprender a se virar sozinho; quando você sabe que se não tomar conta da própria vida ninguém o fará, ninguém tomará suas decisões, aprende a agir mais e reclamar menos; não dá tempo de esperar que o mundo entenda as suas necessidades. Em síntese, a vida ensina. Da maneira mais dura, é verdade, mas também da maneira mais eficaz. A pessoa se torna preparado para os baques que lhe espera, embora também se torne um pouco duro demais, consigo mesmo e com as outras pessoas; confiar em alguém às vezes é difícil. Outro aspecto ruim é não poder ajudar as amigas adolescentes – oh sim, eu tenho amigas adolescentes – por que afinal, a tia é muito boa em dar dicas de livros, mas quando o assunto é garotos ela é um fracasso total!
Eu não tenho problemas com a minha idade, só para deixar bem claro; não é a quantidade de anos que me incomoda, é a maneira como esses anos foram vividos. Como diria o meu caro bardo Shakespeare, “Um dia você aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou”. Não acredito muito na rigidez de se ter uma idade certa para fazer alguma coisa, desde que isso esteja bem delimitado na cabeça do individuo, sem causar confusão, como parece acontecer comigo. Hoje eu tenho vinte e cinco anos, e geralmente me sinto como uma jovem idosa, mas às vezes penso que ainda não passei dos dezessete. E também há aqueles momentos que eu só queria ser criança mesmo, e nada disso seria problema.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Let´s Talk VII: Or am I part of the disease?

No último sábado quando eu voltava para a casa, depois de estar presente à reunião  do Clube do Livro, entrou no mesmo ônibus que eu peguei uma mulher com uma criança de colo; ela devia ter entre trinta e trinta e cinco anos, e usava roupas esfarrapadas, segurando o bebezinho, que estava só de fraldas. Eu estava lendo e ergui a cabeça ao ouvir sua voz quando ela começou a pedir ajuda para comprar uma lata de leite para o filho, enquanto passava no corredor do ônibus com um copinho de plástico na mão estendida.  Esta foi apenas mais uma. No outro dia foi um garoto de aproximadamente onze anos que percorreu o ônibus pedindo esmola, rapazes vendendo bala; não raro tocam a campanhia de casa e quando atendo é um pedinte, sem falar no casal que mora na esquina, no velho que volta e meia encontro comendo na calçada, na mulher sentada em frente ao prédio da faculdade, e por aí vai.
Eu nunca dou esmola, geralmente não saio de casa com dinheiro, a não ser que seja preciso, mas, mesmo quando tenho não dou. Certo, isso pode até parecer desumano, mas o que eu penso é ‘cinquenta centavos não vai mudar a vida dessa pessoa’. Mas será? Será que isso não é uma bela duma desculpa para justificar minha negativa? Ou seja, será que todas as minhas boas ações não são anuladas pelo fato de eu fechar a porta na cara daquele homem sem lhe dar farelo de arroz (mesmo justificando que a casa não é minha e eu não posso dispor do que não é meu)? Mas, afinal, o que eu posso fazer? Eu sou apenas uma pessoa, não tem como eu ajudar todo mundo que precisa e além do mais ‘cinquenta centavos não vai mudar a vida dessa pessoa’. Mas será que receber cinquenta centavos das mãos de alguém não seria um conforto para ela? Não por que isso salvaria sua situação financeira, mas pelo gesto de bondade? Não seria esse gesto a linha divisória entre se importar e não se importar?
Será que eu sou realmente uma pessoa má? Claro que eu sou! As pessoas estão passando fome e eu estou mais preocupada com a minha consciência, não é? Ok, mas eu preciso me preocupar, eu estou fazendo a minha parte não estou? Eu não ando virando a cara e fazendo de conta que aquele problema não tem nada a ver comigo, afinal, a culpa não é minha, é da sociedade. Oh wait! Eu faço parte da joça da sociedade, logo... Mas o que fazer além de tentar ser um(a) bom(a) cidadão(ã), pagar seus impostos, ajudar o próximo, praticar o bem?
É um paradoxo. Pobreza para mim não é novidade; na verdade eu a conheço de uma maneira muito próxima; no lugar onde eu cresci a maioria das pessoas eram (são) pobres, carentes, mas não miseráveis. Eu demorei uns quinze anos na minha vida antes de ver um mendigo. Daí o paradoxo. Sim, eu sei que existe muita miséria no mundo, eu compareci a todas as aulas de História e Geografia do Ensino Médio, assisto jornal e leio e National Geographic. Mas entre saber que existe e ver que existe há sim alguma diferença.
Essas coisas me chocam, mas eu não vou me sentir melhor por que existem pessoas numa situação muito pior do que a minha, meus problemas não vão parecer menores se eu compará-los com os dessas pessoas, e afinal, o fato de eu me sentir péssima por nunca ter passado fome não vai ser de grande ajudar para elas. E talvez não haja mesmo muita coisa que eu possa fazer, eu sou só uma pessoa tentando resolver a própria vida que já não é a coisa mais fácil do mundo, mas isso também não me impede de perguntar por que o mundo tem que ser assim tão desigual? E o que que eu posso fazer para tentar mudar isso?
Infelizmente eu não sei como responder estas perguntas, que eu saiba ainda não existe um livro ensinando como acabar com as desigualdades. Mas mesmo eu não acreditando em muita baboseira motivacional do tipo ‘você é capaz de tudo’ e blá-blá-blá’, ainda assim, eu sou utópica, eu diria quixotesca demais. Talvez um dia  eu consiga realmente mudar o mundo, não sei como, mas eu vou tentar. Se alguém tiver uma ideia, por favor, compartilhe.
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Salut! Ah, esse texto ficou meio, assim sei lá, mas enfim, não tem muito o que falar sobre ele não, insônia sempre dá nessas coisas mesmo. Estou sem tempo para escrever, muita coisa para estudar, e eu queria uma vida, assim, se alguém souber onde comprar, mas que não seja muito cara, me indica, por favor! :)

segunda-feira, 19 de março de 2012

I turn the music up II

O mundo pode acabar lá fora, nada dá certo para mim, ok, tudo bem, a gente se apega ao fracasso depois de algum tempo. Mas, a única coisa que não pode me faltar é um bom fone de ouvido que me proporcione o privilégio de me isolar do mundo e fazer de conta que nada à minha existe. Tem hora, que, pensando bem, eu poderia viver feliz da vida, tendo apenas alguns livros e umas músicas para ouvir. Então, como eu não estou no clima de chorar pitangas e contar tudo que vem dando errado, quis postar as músicas que estão no meu Top 5 nesses últimos tempos.


1 - Lucky Man - The Verve

Sinceramente eu não sei qual o problema de Richard Ashcroft, por que sim, ele deve algum problema! Antes eu era viciada só em Bittersweet Simphony, que já é uma perfeição de música, mas daí eu estava ouvindo o disco aleatoriamente e Lucky Man grudou como chiclete (que metáfora pobre, mas é a crise). Não é aquela música que tem uma letra que resume bem a minha vida e blá-blá-blá, para ser bem sincera, eu nem ligo muito para a letra, é a voz dele que me enlouquece, em especial no trecho "its just a chanfe in me somenthing in my liberty". Com certeza eu posso ouvir isso o dia inteiro.


2 - The Suburbs - Arcade Fire

Eu me tornei a maior poser do Arcade Fire de todos os tempos. Quer dizer, apesar de ouvir o albúm The Suburbs, todo dia, na ordem certa, na ordem aleatória e da última para a primeira música, eu não sei nada sobre a banda. A única coisa que eu sei sobre Arcade Fire é que eles são escoceses, ou talvez irlandeses, bem, sei que são britânicos, ou não; mas isso não importa, por que ouvindo The Suburbs nada mais importa.



3 - Happy to Hang Around - Travis


Ah ouvir Travis é tão bom e não, eu não sinto vontade de cortar os pulsos cada vez que toco o álbum Memories.



4 - Everybody Hurts - REM


Sem nada para falar dessa música, Michael Stipe fala por mim.


5 - Mozart


O lance com o Mozart é parecido com o Arcade Fire, eu simplesmente comecei a ouvir, e gostei.