Não foi tanto tempo longe do In My
Place, mesmo assim foi uma separação triste, posso dizer que foi uma renúncia
difícil, mas por uma causa nobre (ou talvez não tão nobre assim!), veja bem,
conforme eu já tinha falado no post anterior, estava super envolvida, estudando
para os concursos, tinha a faculdade, o
francês e tal, de modo quem acabou sendo negligenciado foi o pobrezinho do
blog. Dramas à parte, o fato é que, pelos poderes em mim investidos pela
Constituição Federal, eu declaro encerrado o recesso no In My Place. We’re back, bitches!
Isto posto, quero aproveitar para falar
exatamente do motivo principal de minha ausência: eles, os malditos
concursos, que separam milhões de brasileiros do sonho de um emprego público,
estabilidade e blá-blá-blá. Eu também estou nessa turma, embora a ideia de
fazer a mesma coisa todos os dias da minha vida até que a morte nos separe não
me atraia particularmente. Enfim, se alguém perguntasse quando foi que eu virei
uma concurseira, ou onde está aquela moça que sonhava em ser CEO de uma
multinacional, eu poderia dizer simplesmente que o mundo dá muitas voltas, e
tire disso a conclusão que quiser. Eu não sei como é passar num concurso
público, pois ainda não vivi a experiência, o mais próximo que eu cheguei foi
ser segunda colocada num certame que oferecia uma vaga (será que é só comigo
que coisas assim acontecem?). Mas a preparação é um processo árduo e doloroso.
É renunciar a algumas horas do dia na frente do computador (a não ser quando as
apostilhas são digitais), é deixar de ficar jogando conversa fora com os
amigos, é deixar de dar a atenção que o namorado merece, é nem falar direito
com as pessoas, é dormir pouco, acordar às cinco da manhã e já pegar o material
e só largar à meia-noite, é ficar irritado com muita facilidade com pessoas que
acham que é fácil, é chorar de desespero, sentir dor de tanto stress. Em suma,
não é nada fácil.
Leandro Vieira, um cara cuja opinião eu
respeito bastante disse uma frase muito interessante: “Gênios americanos tem
ideias que mudam o mundo, os gênios brasileiros passam em concursos públicos”;
depois ele escreveu um artigo meio que criticando essa espécie de desespero de
muitas pessoas por serem aprovadas em concursos. O que mais atrai no serviço
público são os salários e a estabilidade, ou também se poderia dizer que
algumas pessoas pensam no serviço público como um meio de ganhar bem
trabalhando pouco; por incrível que pareça eu não tenho esse pensamento. É meio
o contrário disso. Ok, os salários são bastante atraentes, mas já pensou fazer
uma coisa que você nunca imaginou apenas por dinheiro? Eu não conseguiria, por
exemplo, ser policial ou agente penitenciário. Infelizmente fazer o que se
gosta e ganhar dinheiro com isso parece ser algo a que só alguns poucos
iluminados no mundo tem direito, além disso, a cultura empreendedora é muito
tímida entre nós, tupiniquins; por que é que a gente rala tanto na faculdade
mesmo? Ah, para ser empregado. Mas tudo bem, isso é assunto para outra hora.
Então, mudando um pouco o foco sem
mudar o assunto, depois de fazer, tipos, uns quinze concursos (incluindo aí
vestibular por que usam praticamente as mesmas regras) a pessoa começa a ter
certa experiência no assunto e a observar alguns padrões comportamentais (e eu
adoro observar padrões comportamentais) dos indivíduos que são presença
garantida em processos seletivos. Em um dia de provas de concurso você sempre
vai encontrar: a pessoa nervosa que fica batendo o pé na cadeira da frente, que
geralmente é a minha, ou fica batucando com os dedos na cadeira – não sei se o
propósito com isso é aliviar a tensão ou encher a paciência do próximo; aquela
pessoa que leva um monte de comida para a sala, é sério, quando você olha para
o lado tem uma montanha de chocolate em cima da cadeira – eu entendo que fazer
a prova com o estômago vazio é um erro e não é muito produtivo, mas quando
começam a abrir aqueles bombons bem na hora que você está super-hiper-mega
concentrado lendo uma questão! Argh! Tem ainda a pessoa que leva uma coleção de
lápis – grafite, caneta azul, preta, vermelha, lilás, borracha, transferidor, What? Você pensa, e aquele item do
edital que mandava levar 1 caneta de tinta preta fabricado em material
transparente? E por último tem a pessoa que geralmente se perde antes de
encontrar o local das provas, e essa geralmente sou eu.
A minha saga de concursos por agora
está quase no fim, falta uma prova, que será dia vinte e eu resolvi abdicar de
outras duas que estou inscrita. Muita matéria e poucos recursos disponíveis
para estudar, então eu vou evitar o desgaste emocional e físico que é passar um
tarde fazendo prova. Além do que, atirar para todos os lados é mais difícil,
pegar prova que tem várias disciplinas de Direito, por exemplo, exige muito
mais preparação e é muito exaustivo, e eu não gosto de estudar Direito, logo
fica muito mais difícil. A má noticia é que a maioria dos concursos cobra
alguma coisa de Direito, pois é, ninguém nunca disse que era fácil.
É isso, agora eu estou aguardando o
resultado das provas, não que eu esteja muito otimista, embora as pessoas
tentem me convencer de que oitenta e três por cento seja um resultado animar,
eu acho que poderia ter sido melhor. O fato é que essa espera não é menos
angustiante que a preparação. De qualquer forma, é bom voltar para casa.