sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Vamos ter uma DR


Quantas vezes você já ouviu um artista dizer que os seus fãs são a coisa mais importante? Quantas vezes já ouviu um fã dizer que o seu ídolo é a coisa mais importante? Será que o fã, na qualidade de freguês tem sempre razão, ou seja, o artista tem mesmo que fazer algo de que seu público certamente vai gostar, que seja totalmente esperado? Essa relação ídolo x fã parece simples, mas tem lá suas complicações e especificidades. Para falar desse assunto, tenho que usar meus próprios ídolos como exemplo. Já ouvi muita, mas muita gente mesmo reclamando que o Coldplay não é mais a mesma banda dos tempos do álbum Parachutes. Muito bem, concordo, não é mesmo; a banda passou por muitas mudanças nesse meio tempo, o que para muitos foi uma evolução, outros consideram que o Coldplay perdeu a essência. O que alguns fãs mais esquentadinhos esperam é que eles toquem as mesmas músicas que tocavam dez anos atrás, que mantenham “a razão pela qual nós nos tornamos fãs do Coldplay”. Eu acredito que o grande diferencial do Coldplay é que eles podem ser a banda alternativa que vende 500 cópias de um EP, ou podem ser a banda que faz uma plateia de 100 mil pessoas cantar, e em ambos os casos, são perfeitos, únicos, profissionais.
A gente pode sentir um pouco de saudade dos tempos de Parachutes, claro, mas esperar que a banda continue a mesma depois de mais de uma década é demais, é querer que eles restrinjam sua capacidade criativa. Vamos pensar um pouco, não deve ser nada fácil ser uma mega banda, mega conhecida, com a obrigação de fazer trabalhos originais em um mercado tão sensível quanto o da música; pensar nos fãs e atender suas necessidades sim, mas eles também têm direito total de buscarem novos desafios enquanto artistas, descobrirem novos talentos, e por que não lançar mão de algumas estratégias mercadológicas, pois eu considero a recente parceria do Coldplay com a Rihana uma bela jogada de mercado, fãs da cantora que nunca ouviram Coldplay agora vão ouvir – e não é como se eles precisassem disso, mas vamos combinar, qualquer banda vai gostar de ter sua musica ouvida por um número cada vez maior de pessoas. E isso me leva a outro ponto, alguns fãs se acham donos de suas bandas preferidas. Ok, a gente fica com um pouquinho de ciúme quando ver alguma espécie de poser pagando de entendido sobre os nossos ídolos, e talvez tenha vontade de dar uns bons cascudos naquele pseudo-fã que só conhece a música mais conhecida da banda, mas os novos fãs, embora tenham se atrasado um pouco para conhecer a melhor banda do mundo – para mim é o Coldplay, para você pode ser outra, o que eu realmente duvido por que a melhor é o Coldplay mesmo – bem, vamos ter paciência com eles quando vierem super empolgados contar sobre uma música que a gente já conhece há tempos; nessas horas o melhor é fazer um resenha de toda a discografia da banda e indicar as melhores músicas para o novato, por que depois ele vai poder dizer ‘sempre penso em você quando escuto tal música’.

5 comentários:

del disse...

Eu aposto uma unha que você pensou em mim e no The Rasmus quando escreveu esse texto! hahaha

Olha, fã é coisa curiosa! Tem de todo tipo. Concordo com você quando diz que a banda não pode, nem deve, tocar do mesmo jeito que tocava há 10 anos atrás. Banda tem que evoluir, experimentar outras coisas. E experimentar nem sempre é acertar, mas vale pela experiência. O que julgo é justo a mercadologia de algumas bandas, como os famosos "feats" com artistas que nada tem a ver com eles. Acho que uma banda deve preservar, sempre, sua essência e arte. The Rasmus fez uma dessas com a vocalista do Nightwish, a sorte é que ficou bom, mas achei completamente fora de contexto. Porém, reconheço que foi um dueto experimental. Por que não tentar, né?

O que me tira do sério, muito!, são os fãs ciumentos. Lógico que não gosto de ouvir falar merda errada sobre "minha" banda, mas sou da turma do "deixa disso". Prefiro explicar como as coisas realmente são, apresentar as músicas-chave e ver no que vai dar. Quanto mais gente melhor, ué!

Thay disse...

Olha, é bem por aí mesmo! Não acho que uma banda tenha que viver de memória, usando sempre os mesmos artifícios, as mesmas ideias e canções. Acredito que a chave para qualquer banda permanecer viva nesse cenário musical, é a evolução e mudança. Não digo mudança geral, do tipo 'hoje tocamos rock, vamos partir pro samba?', mas, sabe, experimentar coisas, tentar sair da zona de conforto.

E concordo em absoluto quando diz que desejar que os artistas permaneçam no passado é restringir a capacidade criativa deles.

Até sou ciumenta com relação as minhas bandas favoritas, mas apenas quando se relaciona aos 'posers' mesmo. Mas ter aquele ciúme doentio, meio que se considerando o descobrir da banda, é meio louco. Sou da mesma opinião da Del, quanto mais gente gostar deles, melhor! Isso aumenta até a possibilidade de shows dos seus favoritos mais perto de você. :)

Beijo!

Gessy disse...

Devo concorda com tudo o que você disse, ou melhor, escreveu. Estou pensando aqui agora se esses fãs são realmente fãs ou apenas pseudo-fãs. Tenho sérias dúvidas em relação a isso.
Temos ciume de tudo o que gostamos, e eu também tenho de minhas bandas favoritas.
Concordando novamente: quanto mais conhecida a banda, mais shows.

Ah, oi! :)

Lari disse...

Ah, gente. Tudo muda, tudo evolui. E até nós mesmos mudamos, por que os integrantes da banda, que são pessoas como nós, não podem também mudar, e com isso, um pouco do seu estilo também? Ninguém é obrigado a gostar dos outros Cds, e quem é fã de verdade entenderá essas mudanças.
Essa coisa de ciúme de música... tsc. Um dia essas pessoas amadurecem, né? É chato ver que a pessoa só se tornou fã por causa de UMA música da mídia. Mas é o que você falou: Ensinar é melhor que julgar.
Beeijos.

Re disse...

Realmente tem muita gente que acha realmente ruim quando um artista muda, prefere antes do que depois,dizem:" ah fulano ja foi fulano" e por ai vai, mas por outro lado tem muitos que gostam do novo e outros que descobrem o artista que renovou.
Concordo com você,música não tem que ser limitada e na verdade ela não é limitada,o limite é para quem quer, independente se o artista mudou se gostaram da mudança ou não, acho que o artista tem que ser respeitado quando ele resolve mudar.